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Família

Os fios invisíveis que formam uma mulher

29 Mai 2026 · Taciana Serafim

Existe uma parte da minha história que não aparece no meu currículo.

Ela não está no LinkedIn, não está nos cargos que ocupei e nem cabe em uma apresentação profissional. Mas ela está comigo o tempo todo. Está na forma como eu trabalho, como eu escolho, como eu cuido, como eu insisto e como eu sigo em frente.

No primeiro episódio do Taci Achando, eu quis começar de dentro. Antes de chamar mulheres incríveis para contar suas histórias, eu quis conversar com uma mulher que me conhece desde sempre: a minha irmã, Fernanda Soares.

A nossa conversa fala sobre carreira, família e os fios invisíveis que conectam as duas coisas.

Ao longo do episódio, eu percebo como muito do que eu sou hoje começou em casa. A responsabilidade, a valorização do estudo, o respeito pelo trabalho, o cuidado com as pessoas e a importância de ter uma base para onde voltar.

Meu pai aparece nessa conversa como uma referência de serenidade, leveza e dedicação. Minha mãe aparece como força, organização, cuidado e inteligência prática. E talvez uma das partes mais importantes desse episódio seja justamente reconhecer o quanto o trabalho invisível da minha mãe também fez parte da construção da nossa trajetória.

O IBGE mostra que, em 2022, mulheres dedicavam em média 21,3 horas por semana aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. Homens dedicavam 11,7 horas. Isso significa uma diferença de 9,6 horas semanais.

Esse dado não é apenas uma estatística. Ele ajuda a explicar por que tantas trajetórias femininas são atravessadas por responsabilidades que nem sempre aparecem quando falamos de carreira.

O mesmo levantamento mostra que 92,1% das mulheres com 14 anos ou mais realizavam afazeres domésticos ou cuidado de pessoas, contra 80,8% dos homens. Entre as pessoas ocupadas, mulheres ainda dedicavam 6,8 horas semanais a mais do que homens às mesmas atividades.

Quando eu olho para esses números, penso imediatamente nas mulheres da minha família. Penso na minha mãe, no quanto ela sustentou a rotina, organizou a casa, acompanhou os estudos e fez com que a educação fosse prioridade para nós.

Também penso em como muitas mulheres só conseguem avançar porque outras mulheres seguram parte da vida nos bastidores.

Segundo o IBGE, essa divisão desigual tem relação direta com a participação feminina no mercado de trabalho. Em 2022, a taxa de participação das mulheres na força de trabalho era de 53,3%, enquanto a dos homens era de 73,2%. Uma diferença de 19,9 pontos percentuais.

Quando eu olho para a minha carreira, vejo que ela não começou no meu primeiro emprego. Ela começou antes, nas conversas de casa, nas cobranças sobre estudo, nos exemplos de responsabilidade e nos valores que foram se formando em mim.

Esse episódio me lembra que nenhuma mulher se constrói sozinha.

A gente é feita de escolhas, mas também de base.

De coragem, mas também de cuidado.

De conquistas, mas também de histórias que vieram antes.

Hoje, eu entendo que os fios invisíveis existem.

E talvez amadurecer seja aprender a enxergá-los.

Quem está nessa conversa

As vozes do episódio

TS

Taciana Serafim

Host do Taci Achando?

Executiva, mentora e criadora do Taci Achando?. Constrói conversas sobre carreira, autoestima e os bastidores que formam mulheres reais.

FS

Fernanda Soares

Convidada · Líder em gestão de pessoas

Irmã da Taciana e referência em desenvolvimento humano. Trabalha com liderança, cultura e gente, traduzindo na prática o que aprendeu desde a infância sobre cuidar e formar pessoas.

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Esse texto nasceu de um episódio.

Ouça a conversa completa e mergulhe nas histórias que inspiraram essas reflexões.

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