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Carreira

O que a sua história ensina sobre o seu trabalho

29 Mai 2026 · Taciana Serafim

O que a minha história ensinou sobre trabalho

Eu acredito que nem toda carreira nasce de um plano perfeito.

Às vezes, a carreira começa em uma brincadeira de infância, em uma referência familiar, em uma oportunidade que aparece, em uma necessidade da vida ou em uma pessoa que nos inspira antes mesmo de percebermos.

No episódio com a minha irmã, Fernanda fala sobre como sempre gostou de ensinar, cuidar e desenvolver pessoas. Quando criança, ela brincava de dar aula para as bonecas. Hoje, trabalha com gente, liderança e gestão de pessoas.

Essa conexão me fez pensar sobre como a nossa história ensina muito sobre a forma como trabalhamos.

Eu também olho para a minha trajetória e vejo que muita coisa não foi planejada de forma linear. Eu fui construindo repertório, errando, testando caminhos, encontrando interesses e entendendo, aos poucos, o que fazia sentido para mim.

No episódio, a Fernanda fala que por onde passou, aprendeu. Essa frase resume muito do que eu acredito sobre carreira. Nenhuma experiência precisa ser desperdiçada quando a gente consegue transformar vivência em repertório.

Mas também é impossível falar de carreira feminina sem olhar para o contexto.

No Brasil, os dados mostram que o caminho profissional das mulheres ainda é atravessado por desigualdades importantes. Segundo o 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, apresentado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres, mulheres recebem, em média, 21,2% menos do que homens em empresas com 100 ou mais funcionários.

O estudo analisou 19.423.144 vínculos trabalhistas, com base nas informações da RAIS, considerando o período do segundo semestre de 2024 ao primeiro semestre de 2025. Nesse recorte, as mulheres representavam 41,1% dos vínculos analisados, enquanto os homens representavam 58,9%.

Esse número mostra que a discussão sobre carreira feminina não pode ser reduzida apenas a esforço individual. Mulheres estudam, trabalham, lideram, empreendem e entregam resultado. Ainda assim, enfrentam barreiras estruturais de remuneração, acesso e reconhecimento.

Quando olho para dados do IBGE, essa desigualdade também aparece na liderança. Em 2022, mulheres eram 39,3% das pessoas ocupadas em cargos gerenciais no Brasil, enquanto homens representavam 60,7%.

Mesmo quando chegam a posições de gestão, a diferença permanece. Segundo o IBGE, em 2022, homens em cargos gerenciais tinham rendimento médio de R$ 8.378, enquanto mulheres nesses mesmos cargos tinham rendimento médio de R$ 6.600. Isso significa que, em cargos gerenciais, elas recebiam 78,8% do rendimento deles.

Para mim, esses dados reforçam algo muito importante: falar sobre carreira feminina é falar também sobre acesso, visibilidade e oportunidade.

Quem é visto para uma promoção?

Quem recebe incentivo?

Quem é indicado para projetos estratégicos?

Quem tem espaço para errar, aprender e crescer?

Quem encontra lideranças dispostas a abrir portas?

Outro dado brasileiro ajuda a ampliar essa reflexão. Segundo o IBGE, a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho era de 53,3%, enquanto a dos homens era de 73,2%. Uma diferença de 19,9 pontos percentuais.

Essa diferença não acontece no vazio. O próprio IBGE relaciona essa distância ao fato de que mulheres seguem dedicando mais tempo às tarefas de cuidado e aos afazeres domésticos. Em 2022, mulheres dedicavam em média 21,3 horas semanais a essas atividades, enquanto homens dedicavam 11,7 horas.

Quando falo sobre a minha história e a da Fernanda, eu não penso apenas em cargo, promoção ou salário. Penso também em base, repertório, família, incentivo, oportunidade e ambiente.

Penso nas mulheres que vieram antes.

Penso nas responsabilidades que tantas vezes não aparecem.

Penso nas escolhas que uma mulher faz enquanto tenta equilibrar trabalho, cuidado, estudo, família e sonhos.

A nossa conversa me fez lembrar que trabalho não é só o que a gente faz. Trabalho também revela o que a gente valoriza.

A forma como eu entrego.

A forma como eu aprendo.

A forma como eu me posiciono.

A forma como eu me relaciono com pessoas.

A forma como eu decido o que aceito e o que não aceito.

Tudo isso tem história.

E talvez uma das perguntas mais importantes seja: o que a minha história já me ensinou sobre o tipo de profissional que eu quero ser?

Quem está nessa conversa

As vozes do episódio

TS

Taciana Serafim

Host do Taci Achando?

Executiva, mentora e criadora do Taci Achando?. Constrói conversas sobre carreira, autoestima e os bastidores que formam mulheres reais.

FS

Fernanda Soares

Convidada · Líder em gestão de pessoas

Irmã da Taciana e referência em desenvolvimento humano. Trabalha com liderança, cultura e gente, traduzindo na prática o que aprendeu desde a infância sobre cuidar e formar pessoas.

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Esse texto nasceu de um episódio.

Ouça a conversa completa e mergulhe nas histórias que inspiraram essas reflexões.

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