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Carreira

Flávia Ferrare: a coragem de construir algo do zero, vista de quem está no jogo

16 Jul 2026 · Taciana Serafim

Construir algo do zero parece bonito quando a gente olha de fora.

Tem nome, marca, post no LinkedIn, lançamento, foto bonita, frase inspiradora e aquele brilho de quem aparentemente sabe exatamente o que está fazendo.

Mas quem está no jogo sabe.

Começar do zero também é dúvida.

É boleto.

É medo.

É tomada de decisão sem garantia.

É aprender a sustentar uma visão quando ainda quase ninguém está vendo o que você vê.

No episódio do Taci Achando?, eu recebi minha amiga Flávia Ferrare para uma conversa sobre empreendedorismo, carreira, coragem e vida real. Não a coragem romantizada, que parece coisa de filme. Mas aquela coragem mais silenciosa, que aparece quando a gente decide seguir mesmo sem ter todas as respostas.

Porque construir algo do zero exige muito mais do que uma boa ideia.

Exige presença.

Exige consistência.

Exige escolha.

E, principalmente, exige saber quem a gente é quando ninguém está aplaudindo ainda.

A coragem que não parece coragem

Quando a gente fala sobre empreender, é comum imaginar grandes viradas. Um pedido de demissão cinematográfico. Uma ideia genial surgindo no banho. Um momento exato em que a pessoa olha para a vida e diz: “Agora vai.”

Mas a vida real costuma ser menos editada.

Muitas vezes, a coragem não aparece como certeza. Ela aparece como incômodo. Como uma sensação de que existe algo ali pedindo para nascer. Como uma vontade de fazer diferente. Como uma pergunta que vai ficando cada vez mais difícil de ignorar.

E talvez seja por isso que a história da Flávia seja tão interessante.

Porque ela não fala de construção como quem vende uma fórmula pronta. Ela fala como quem está vivendo. Como quem entende que empreender é fazer escolhas todos os dias, inclusive nos dias em que a gente não está se sentindo tão forte assim.

Existe uma diferença enorme entre falar sobre coragem depois que tudo deu certo e falar sobre coragem enquanto a construção ainda está acontecendo. A Flávia fala desse segundo lugar. Do lugar de quem está no jogo.

Empreender também é se escolher

Uma das coisas que mais atravessa essa conversa é a ideia de que construir algo do zero também passa por autoestima. E talvez esse seja um ponto que combina muito com o Taci Achando?.

Porque se achar, aqui, nunca foi sobre arrogância. É sobre se observar. Se entender. Se valorizar. É sobre parar de pedir desculpas por ocupar espaço.

E empreender exige muito disso. Exige acreditar que aquilo que você sabe, aquilo que você construiu e aquilo que você enxerga tem valor. Exige bancar uma ideia antes que ela esteja validada por todo mundo. Exige olhar para a própria trajetória e entender que nada foi à toa.

A coragem de construir algo do zero começa, muitas vezes, na coragem de se levar a sério. E isso não é simples. Principalmente para mulheres.

Porque a gente aprende cedo a ser competente, mas nem sempre aprende a se reconhecer como potência. A gente aprende a entregar, mas nem sempre aprende a nomear o valor do que entrega. A gente aprende a cuidar, sustentar, resolver, organizar, mas muitas vezes demora para entender que tudo isso também é repertório de liderança.

Flávia traz essa força de quem constrói olhando para dentro e para fora ao mesmo tempo. Com ambição, mas sem perder o eixo. Com vontade de crescer, mas sem romantizar o caminho.

O zero não é vazio

Tem uma coisa curiosa sobre começar do zero: quase nunca é realmente do zero. Quando alguém decide construir um negócio, uma comunidade, uma marca ou um projeto, leva junto tudo o que viveu antes.

Leva repertório. Leva relações. Leva aprendizados. Leva erros. Leva referências. Leva cicatrizes. Leva também as versões antigas de si mesma, aquelas que precisaram passar por algumas coisas para que a versão atual tivesse coragem de começar.

Por isso, quando olhamos para uma mulher construindo algo, não estamos vendo só o nascimento de um projeto. Estamos vendo uma trajetória inteira se reorganizando em forma de decisão.

A Flávia fala desse lugar de quem entende que o caminho profissional não é separado da vida. Que as escolhas de carreira carregam valores, relações, medos, desejos e limites. E talvez seja isso que torne a conversa tão real.

Porque não existe empreendedorismo sem pessoa. Não existe marca forte sem alguém sustentando aquilo nos bastidores. Não existe construção do zero sem uma mulher, muitas vezes cansada, mas ainda assim disposta a tentar de novo.

A seletividade como proteção

Em algum momento da vida, a gente começa a entender que nem todo mundo pode caminhar perto. Não por dureza. Por preservação.

A Flávia traz essa consciência de escolher melhor as pessoas, os ambientes, as parcerias e as trocas. E isso diz muito sobre maturidade.

Quando a gente está construindo algo, a energia vira um recurso precioso. Você não consegue colocar todo mundo para dentro. Não consegue ouvir todas as opiniões. Não consegue abrir espaço para qualquer intenção. Não consegue dividir sonho com quem trata aquilo como detalhe.

Construir algo do zero exige critério. Exige saber com quem andar. Exige reconhecer quem soma, quem sustenta, quem provoca crescimento e quem apenas consome energia.

Isso vale para empreendedorismo, mas vale também para a vida. Porque toda construção precisa de base. E parte dessa base são as pessoas que escolhemos ter por perto.

Força não é dar conta de tudo

Existe uma armadilha muito comum quando falamos de mulheres fortes: transformar força em obrigação. Como se ser forte significasse aguentar tudo. Resolver tudo. Não sentir. Não parar. Não precisar de ninguém.

Mas a conversa com a Flávia vai para outro lugar. Um lugar onde força também é saber reconhecer limites. É pedir ajuda. É recalcular rota. É admitir que algumas escolhas custam. É entender que coragem e medo podem coexistir.

Empreender não exige uma mulher invencível. Exige uma mulher honesta com o que está vivendo.

E talvez essa seja uma das mensagens mais importantes dessa conversa: a gente não precisa romantizar a construção para reconhecer sua beleza. Construir algo do zero pode ser difícil e ainda assim ser incrível. Pode ser cansativo e ainda assim fazer sentido. Pode dar medo e ainda assim ser o caminho.

Quem está no jogo sabe

Falar sobre empreendedorismo de fora é fácil. Difícil é viver o dia a dia da construção. É sustentar a decisão quando o resultado ainda não veio. É continuar aparecendo quando a comparação bate. É vender uma ideia sem se vender inteira. É aprender a lidar com a instabilidade sem deixar que ela defina o seu valor. É entender que nem todo dia terá clareza, mas ainda assim alguns passos precisam ser dados.

Flávia representa muito essa mulher que não está apenas discursando sobre coragem. Ela está praticando. E isso muda tudo.

Porque a coragem de quem está no jogo não é performática. Ela é cotidiana. Está nas conversas difíceis. Nas decisões solitárias. Nas tentativas que ninguém vê. Nos ajustes de rota. Nas pequenas vitórias. Na capacidade de continuar construindo mesmo quando o caminho ainda não está totalmente pavimentado.

Construir algo do zero também constrói a gente

No fim, talvez seja isso. A gente acha que está construindo um negócio, uma marca, uma carreira, uma comunidade, um projeto. Mas, no processo, também está sendo construída.

A cada escolha, a gente entende melhor o que aceita e o que não aceita. A cada desafio, descobre uma força que talvez não soubesse nomear. A cada recomeço, aprende que não precisa estar pronta para começar.

A conversa com Flávia Ferrare é sobre empreendedorismo, sim. Mas é também sobre identidade. Sobre coragem. Sobre autoestima. Sobre escolher melhor as pessoas que caminham com a gente. Sobre não esperar que tudo esteja perfeito para colocar algo no mundo.

Porque construir algo do zero, para quem está no jogo, nunca é só sobre começar. É sobre sustentar. É sobre permanecer. É sobre se reconhecer no caminho.

E talvez seja aí que mora a coragem mais bonita.

Quem está nessa conversa

As vozes do episódio

TS

Taciana Serafim

Host do Taci Achando?

Executiva, mentora e criadora do Taci Achando?. Constrói conversas sobre carreira, autoestima e os bastidores que formam mulheres reais.

FF

Flávia Ferrare

Convidada · Empreendedora

Empreendedora que fala de coragem sem romantizar. Constrói marca e negócio a partir de consistência, presença e da coragem silenciosa de quem está no jogo.

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Esse texto nasceu de um episódio.

Ouça a conversa completa e mergulhe nas histórias que inspiraram essas reflexões.

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